5.16.2009

Massas rançosas

Muitas vezes me tenho insurgido contra os movimentos de massas. As pessoas, o povo em conjunto, em acção, não toma as decisões certas. Quando o povo toma as ruas acontecem coisas más. Cabeças cortadas, caixotes do lixo a arder, montras partidas, linchamentos, porrada e outras situações a evitar quando queremos manter uma saúde, que a crer nos especialistas, já não é muito de fiar. Mesmo assim, antes morrer de gripe suína do que pisado por milhares de humanos...

No entanto há alturas em que as massas escolhem bem. Sim, além do voto, em que por influência do individualismo se tomam decisões mais ou menos responsáveis, existem situações em que não obstante todas as adversidades, a maralha decide bem. A multidão portuguesa é do Benfica. E isso prova que nem tudo está perdido. Na minha opinião, o 25 de Abril não teve sangue porque no fundo de cada português já residia o democrata benfiquista. O benfiquista que reconhecia no desgraçado sportinguista a inevitabilidade da sua essência. Como poderiam eles fuzilar um fascista, se "isto andamos todos ao mesmo e os gajos hão-de perceber que estavam errados". Só Otelo vacilou, mas não me consta que ele tenha clube. Não deve ter que isso é coisa de burguês.
O benfiquista percebia também que o portista era necessário para a competitividade do futebol nacional, assim como se achou que o PCP era indispensável à construção da democracia. Os paradoxos fazem a realidade hilária deste país, essa é que é essa. É como eu dizer que a existência da minha gata cá em casa é fundamental para a saudável manutenção do meu sofá.

3 comentários:

Ritinha disse...

«Mesmo assim, antes morrer de gripe suína do que pisado por milhares de humanos...»
Gostei.

Isso do benfiquismo é que é de lamentar. De resto, o meu gato também é essencial ao esventranço de uma certa mala de viagem. Pena que um destes dias nem a SPA lhe seja essencial...

PmCDP disse...

Oooo Beeeenfica é bom.

Ritinha disse...

Ou não...