10.17.2012
10.11.2012
Optimismo holista
O meu optimismo radica num irredutível pessimismo.Se sabemos que há coisas que vão por certo correr mal, porquê preocuparmo-nos? No fim, a vida aí está, a ser vivida e a acontecer.
10.01.2012
Estar vivo é o contrário de estar morto
Neste texto do "The Onion" um exercício genial de comédia sem sentido que aprofunda a absurdez da vida. Daí, o texto passa a ter um sentido metafísico, muito provavelmente propositado. Mostra ainda o ridículo de lisonjear a perda de vidas jovens, face a vidas mais velhas, ou outra qualquer. Ridiculariza o pedestal em que se colocam os objectivos de vida do quem morre adolescente, como se não fossem todos os adolescentes estufas de sonhos.
9.22.2012
Flac isn't on mac
Desde que descobri o formato flac, ouvir música tornou-se prazer maior e despreocupado. Mp3 é um formato que preocupa. Rippar um cd a 320 kb pode não ser a resposta para escutar em qualidade porque nenhuma canção se comporta com esta linearidade. Flac proporciona a diminuição do ficheiro sem qualquer perda de qualidade. Com o plugin certo, ou o leitor certo (como o Winamp) podia ouvir ficheiros com a qualidade de cd. Alguns problemas: o WMP dificultava e muito a leitura destes ficheiros, crashando amiúde e organizando-os de forma suspeita (daí ter reencontrado o winamp).
;não havia leitores portáteis que reconhecessem este formato.
Depois da actualização do meu sony walkman para android 4, uma surpresa. Enquanto passava as cantorias para o disco do telemóvel, apercebi-me de que o disco estava a ficar cheio depressa demais. A explicação só podia ser uma: o winamp não necessitava de converter o ficheiro porque o novo sistema operativo do telemóvel já o reconhecia. De facto. Boas notícias com um preço. O espaço em disco diminui razoavelmente, mas vale a pena a minúcia sonora no carro e andando pelas ruas de Lisboa todo roto e a cair.
;não havia leitores portáteis que reconhecessem este formato.
Depois da actualização do meu sony walkman para android 4, uma surpresa. Enquanto passava as cantorias para o disco do telemóvel, apercebi-me de que o disco estava a ficar cheio depressa demais. A explicação só podia ser uma: o winamp não necessitava de converter o ficheiro porque o novo sistema operativo do telemóvel já o reconhecia. De facto. Boas notícias com um preço. O espaço em disco diminui razoavelmente, mas vale a pena a minúcia sonora no carro e andando pelas ruas de Lisboa todo roto e a cair.
8.28.2012
Totalitário
Nenhuma ciência reclama o conhecimento total da matéria sobre a qual versa. As tentativas arrogantes das ciências-engodo como a alquimia, a astrologia ou qualquer cena ocultista são paródias à infantilidade humana e fundamental incapacidade de esperar pelo decorrer normal da vida, de reconhecer os limites da existência e de imaturidade perante os elementos da Terra.
É verdade que há dogmas orientadores da vida. É verdade que as ciências erram e cresceram com os erros e a magnífica capacidade de refutabilidade, mas a psicologia é entendida, até por quem a pratica, como a única que está sempre certa. Não há dúvida que resista, nem processo que não seja explicável. Talvez pela insegurança de ser uma ciência jovem com vários caminhos ainda possíveis, espera-se da psicologia o conhecimento total dos comportamentos e da mente. Ah!
É verdade que há dogmas orientadores da vida. É verdade que as ciências erram e cresceram com os erros e a magnífica capacidade de refutabilidade, mas a psicologia é entendida, até por quem a pratica, como a única que está sempre certa. Não há dúvida que resista, nem processo que não seja explicável. Talvez pela insegurança de ser uma ciência jovem com vários caminhos ainda possíveis, espera-se da psicologia o conhecimento total dos comportamentos e da mente. Ah!
8.15.2012
Stone Temple Pilots
Quando notei as críticas negativas arrojadas aos STP, não pensei que fossem tão tontas. É verdade que alguém se atrevera a dizer que Stone Temple Pilots copiavam os Pearl Jam?! A sério? A banda de Eddie Vedder que na cantiga Hunger Strike (Temple of the Dog) não se coíbe de aconchegar-se no vozeirão de Chris Cornell? O Eddie Veder que passa o metade do álbum Ten a tentar cantar como o Chris? E reparai que gosto muito do Ten.
Parece despropositado acusar de plágio artístico uma banda como muito menos sinais óbvios de influência do que tantas na altura. A onda grunge começava em Seattle, mas não podiam uns tipos de San Diego gostar de meter heroína e tocar rock pesado? O Core parece-me tão díspar de qualquer outro álbum feito no início dos 90... Dead and Bloated, Crackerman, Plush... Tudo malhas icónicas e definitivas de STP.
Tudo se desmorona com o Shangri la ou o que é. Mas até o Tiny Music ou o Nº4 são bons. Neste caso acusar de cópia, é não saber definir influência ou onda.
Parece despropositado acusar de plágio artístico uma banda como muito menos sinais óbvios de influência do que tantas na altura. A onda grunge começava em Seattle, mas não podiam uns tipos de San Diego gostar de meter heroína e tocar rock pesado? O Core parece-me tão díspar de qualquer outro álbum feito no início dos 90... Dead and Bloated, Crackerman, Plush... Tudo malhas icónicas e definitivas de STP.
Tudo se desmorona com o Shangri la ou o que é. Mas até o Tiny Music ou o Nº4 são bons. Neste caso acusar de cópia, é não saber definir influência ou onda.
7.23.2012
Opostos mas pouco
Há entre o fanatismo religioso e o niilismo um dogma comum e essencial para as respectivas engrenagens. Todos somos culpados. Depois, as diferenças... Débeis. O fanatismo religioso compele a humanidade a procurar perdão e a redenção. O niilista vocifera pela salvação através de um estilo de vida determinado (por ele claro está).
Ambos vagueiam nas tormentosas águas do relativismo moral, ainda que apregoem o contrário.
Ambos vagueiam nas tormentosas águas do relativismo moral, ainda que apregoem o contrário.
7.17.2012
Merecer
É fácil dizer que o povo português tem o que merece. Mas o azar persegue. Inquieta-me confirmar uma e outra vez a falta de nível das pessoas que nos governam. Assusta-me a credulidade de amigos que julgam que a mudança de côr é mudança de regime. Assusta-me porque quem acredita pode, afinal, estar ao serviço da tontice partidária.
6.19.2012
6.17.2012
6.13.2012
Cá chegou a encomenda, queridos belgas
Pela terceira vez, cá chega a grade de 24 preciosas cervejas belgas. Desta feita, Gulden Draak 9000, Chimay azul e Leffe brune (em promoção). Vamos ver para quanto dá, mas isto não é coisa para se ir num instante que não há dinheiro para dureza desta natureza.
De realçar que demora menos uma grade de cerveja a chegar da Bélgica, do que um livro da Wook.
Não contentes com o excelente serviço que me têm prestado, os amigos belgas ainda me enviam um bilhete a agradecer, terminando com a sugestão de que se eu desejar algum produto que não tenham na loja, eu que peça que eles lá se desenrascam. Até dá vontade de ser alcoólico para comprar mais cervejas e ajudar tão benigno negócio.
De realçar que demora menos uma grade de cerveja a chegar da Bélgica, do que um livro da Wook.
Não contentes com o excelente serviço que me têm prestado, os amigos belgas ainda me enviam um bilhete a agradecer, terminando com a sugestão de que se eu desejar algum produto que não tenham na loja, eu que peça que eles lá se desenrascam. Até dá vontade de ser alcoólico para comprar mais cervejas e ajudar tão benigno negócio.
6.12.2012
O advento do conhecimento
Homens que sabem muito, se embebedam no próprio conhecimento e cuja ressaca impede a sabedoria.
5.28.2012
O saudosismo chega sem vergonha
Fala-se dos exames da primária do Estado Novo e encontramos logo quem fique com pele de galinha de tanto prazer. Bizarro é que muitos destes entusiastas são mais ignorantes do que um miúdo do quarto ano, acerca das matérias que dizem ser essenciais à formação de um cidadão. Além disso, parece haver uma vontade de infligir um sofrimento aos petizes, como que fazendo um ajuste de contas com a própria infância. E isto é o mais preocupante: quando a mente está obnubilada por armadilhas emocionais, quando devia estar limpa e focada no objectivo de melhorar algo tão importante como o ensino de crianças. E isto não é fábula. Basta vermos a forma quase agressiva como os defensores da rigidez e austeridade no ensino se posicionam nas discussões.
Depois temos um ministro que decide reinstituir o exame de 4º ano. Mas há dúvidas de que esta jogada visa agradar finalmente aos velhotes a quem está a ser roubada parte da reforma? Há dúvidas de que este exame é uma forma de acalentar o coração de quem soube, uma vida inteira, as quatro dinastias portuguesas, não lhe tendo servido essa informação para mais do que fazer boa figura no programa do Malato?
Espero que não haja atrasados mentais que vejam nestas ideias uma desvalorização da História portuguesa. Muito pelo contrário. Entendo que o ensino deve alentar para a descoberta, para a auto aprendizagem, para a liberdade de conhecimento. O ensino baseado no decoranço esvazia a auto determinação, a vontade de conhecer mais.
Depois temos um ministro que decide reinstituir o exame de 4º ano. Mas há dúvidas de que esta jogada visa agradar finalmente aos velhotes a quem está a ser roubada parte da reforma? Há dúvidas de que este exame é uma forma de acalentar o coração de quem soube, uma vida inteira, as quatro dinastias portuguesas, não lhe tendo servido essa informação para mais do que fazer boa figura no programa do Malato?
Espero que não haja atrasados mentais que vejam nestas ideias uma desvalorização da História portuguesa. Muito pelo contrário. Entendo que o ensino deve alentar para a descoberta, para a auto aprendizagem, para a liberdade de conhecimento. O ensino baseado no decoranço esvazia a auto determinação, a vontade de conhecer mais.
5.21.2012
Contradizer é uma obrigação cívica
Ia comentar este texto de Manuel Leal Freire, no Capeia Arraiana, mas já ia avançado nos caracteres, de maneira que aqui fica.
Não sei por onde começar. Apesar de reconhecer no autor da resenha um imenso conhecimento de coisas, decerto importantes, não posso reconhecer-lhe acerto nesta crónica. Começando pela questão académica, não deveria haver discussão possível. Comparando com o tempo do estado novo, por exemplo, a melhoria hodierna do ensino público não tem contra possível. Claro que aumentando o número de estudantes, aumenta o número de casos falhados. Mas grassa pelas gerações mais velhas uma espécie de ressentimento pela facilidade com que hoje se consegue estudar. Resquícios de tempos em que se endeusavam as pessoas com estudos superiores, em que cada estudante almejava o olimpo do estatuto social. Agora estuda-se porque sim. Por muito que isso custe, para a maioria das pessoas e para o país isso é bom. Falta calcorrear muita vereda para se chegar a um tempo em que cada licenciatura seja mesmo uma mais valia. Entretanto aperfeiçoamos o processo. Haja políticos decentes para o fazer.
Quanto à tão falada escola industrial, o mais alardeado sofisma dos saudosistas de outros tempos, pouco a acrescentar. Quem reclama a sua falta ignora a rede de formação profissional que o país tem, havendo inclusive um concurso anual da escolha do melhor artífice/empregado/operário, de profissões como soldador, carpinteiro, canalizador, etc.
Das PPP, nada de novo. Quem não concorda que deve haver bom senso e transparência na gestão de dinheiros públicos?
Quanto a Hollande e Strauss Kahn, sabemos que Hollande tem um processo por favorecimento de amigos, no seu anterior cargo público. Quanto às escolhas sexuais do segundo, sem comentários. A moral, tantas vezes pregada, nem sempre se tem em primeira conta afinal.
Por fim, no caso vergonhoso do BPN, uma referência curiosa que vale a pena aprofundar: a seriedade de "Egas Moniz". Das patranhas de História que se ensinam na escola para levantar o ego do pobre Zé Povinho, nenhuma é tão ardilosa como a de Egas Moniz. Além de ser uma lenda contada como verdade, há uma característica essencial da história, sempre passada em branco, como os cheques do BPN. Então valoriza-se o Egas Moniz por ter levado filhos e mulher a caminho da morte, mas não se valoriza o facto de Afonso Henriques, o Rei fundador de Portugal ter mentido com quantos dentes tinha na boca, ao primo? O nosso primeiro rei passa a perna ao primo e nós viramos a cara, olhando com ternura para o aio. Mais uma vez, por muito que nos custe, a trapaça está nas fundações deste país (e de muitos outros). Não o vendamos com uma falsa carapaça de magnanimidade, porque esta será uma carapaça de vidraça estilhaçada. Não nos fiemos no passado para construir o futuro. Aprendamos com ele, mas reconheçamos-lhe os erros, as falhas, o mal e tenhamos a coragem de mudar os vícios que trazemos. Pensarmos que somos os maiores, deixando que as tais tubas da fama nos ensurdeçam, não é, de facto, boa política.
Não sei por onde começar. Apesar de reconhecer no autor da resenha um imenso conhecimento de coisas, decerto importantes, não posso reconhecer-lhe acerto nesta crónica. Começando pela questão académica, não deveria haver discussão possível. Comparando com o tempo do estado novo, por exemplo, a melhoria hodierna do ensino público não tem contra possível. Claro que aumentando o número de estudantes, aumenta o número de casos falhados. Mas grassa pelas gerações mais velhas uma espécie de ressentimento pela facilidade com que hoje se consegue estudar. Resquícios de tempos em que se endeusavam as pessoas com estudos superiores, em que cada estudante almejava o olimpo do estatuto social. Agora estuda-se porque sim. Por muito que isso custe, para a maioria das pessoas e para o país isso é bom. Falta calcorrear muita vereda para se chegar a um tempo em que cada licenciatura seja mesmo uma mais valia. Entretanto aperfeiçoamos o processo. Haja políticos decentes para o fazer.
Quanto à tão falada escola industrial, o mais alardeado sofisma dos saudosistas de outros tempos, pouco a acrescentar. Quem reclama a sua falta ignora a rede de formação profissional que o país tem, havendo inclusive um concurso anual da escolha do melhor artífice/empregado/operário, de profissões como soldador, carpinteiro, canalizador, etc.
Das PPP, nada de novo. Quem não concorda que deve haver bom senso e transparência na gestão de dinheiros públicos?
Quanto a Hollande e Strauss Kahn, sabemos que Hollande tem um processo por favorecimento de amigos, no seu anterior cargo público. Quanto às escolhas sexuais do segundo, sem comentários. A moral, tantas vezes pregada, nem sempre se tem em primeira conta afinal.
Por fim, no caso vergonhoso do BPN, uma referência curiosa que vale a pena aprofundar: a seriedade de "Egas Moniz". Das patranhas de História que se ensinam na escola para levantar o ego do pobre Zé Povinho, nenhuma é tão ardilosa como a de Egas Moniz. Além de ser uma lenda contada como verdade, há uma característica essencial da história, sempre passada em branco, como os cheques do BPN. Então valoriza-se o Egas Moniz por ter levado filhos e mulher a caminho da morte, mas não se valoriza o facto de Afonso Henriques, o Rei fundador de Portugal ter mentido com quantos dentes tinha na boca, ao primo? O nosso primeiro rei passa a perna ao primo e nós viramos a cara, olhando com ternura para o aio. Mais uma vez, por muito que nos custe, a trapaça está nas fundações deste país (e de muitos outros). Não o vendamos com uma falsa carapaça de magnanimidade, porque esta será uma carapaça de vidraça estilhaçada. Não nos fiemos no passado para construir o futuro. Aprendamos com ele, mas reconheçamos-lhe os erros, as falhas, o mal e tenhamos a coragem de mudar os vícios que trazemos. Pensarmos que somos os maiores, deixando que as tais tubas da fama nos ensurdeçam, não é, de facto, boa política.
5.17.2012
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