7.18.2011
Valer a pena
A Ilha Terceira é meiguinha no clima. Nunca está muito frio, nem muito calor. Humidade é a coisa que atrapalha um bocadinho. Mas a meiguice nem sempre é bom sinal. No Verão espera-se por dias de calor onde choramos por um mergulho no mar. Ontem e hoje acabou-se a meiguice e o sol dominou, o calor abafou e o mar aberto mas calminho, refrescou.
7.07.2011
Cópia sobre cópia
Reconhecemos, em atitudes próprias mas mais em alheias certamente, que isto o ser humano fez-se observando primeiro os outros, a imitação de determinadas formas, gestos, falas, que sendo inevitáveis e inconscientes, constroem paradoxalmente a individualidade. Cada um de nós é uma amálgama de ADN (e outras coisas) de outros. Os génios são aqueles que criam formas mesmo novas de ser e , indo contra aquilo em que visceralmente acredito , arriscam em qualquer situação à escolha, a demonstração de genialidade.Ou seja, num mundo tão miscigenizado e amalgamado sem lugar para a diferença, porque todos o somos, podemos às vezes considerar uma parvoíce totalmente nova como uma genialidade, porque representa uma nova forma de humanidade.
Há quem leve isto à verdadeira parvoíce ou se perca numa extenuante e confrangedora luta contra a mediocridade que nos define inexoravelmente. Imitar ideias inovadoras, no sentido de que foram inovadoras, originais, acreditando que hão-de sê-lo sempre é, mais que triste, vergonhoso. Artistas mimetizadores de vidas que admiram, incapazes de ir mais longe, sentando-se apenas na bela varanda da segurança criativa decalcando pinturas, gravando músicas, copiando letras para depois apresentá-las como grandes obras de arte decerto influenciadas, mas ainda assim originais, belas e inspiradoras. Não, isso é imitação. Imitar vida, imitar o pensamento, tentar pensar pela cabeça dos intelectuais admirados, pensar pela cabeça do artista invejado, cria uma artificialidade que nunca poderá ser uma forma diferente e artística de viver, porque há tantos com esse desígnio de vida...
Há quem leve isto à verdadeira parvoíce ou se perca numa extenuante e confrangedora luta contra a mediocridade que nos define inexoravelmente. Imitar ideias inovadoras, no sentido de que foram inovadoras, originais, acreditando que hão-de sê-lo sempre é, mais que triste, vergonhoso. Artistas mimetizadores de vidas que admiram, incapazes de ir mais longe, sentando-se apenas na bela varanda da segurança criativa decalcando pinturas, gravando músicas, copiando letras para depois apresentá-las como grandes obras de arte decerto influenciadas, mas ainda assim originais, belas e inspiradoras. Não, isso é imitação. Imitar vida, imitar o pensamento, tentar pensar pela cabeça dos intelectuais admirados, pensar pela cabeça do artista invejado, cria uma artificialidade que nunca poderá ser uma forma diferente e artística de viver, porque há tantos com esse desígnio de vida...
7.06.2011
À SIC e respectivos delatores
É preciso não ver a SICnotícias para sugeri-la como amiguinha da direita. Veja-se hoje a entrevista a Morais Sarmento para perceber que nem tudo funciona mal em Portugal. Nem tudo acontece pela subserviência ao poder.
7.05.2011
Condescender
É um dos verbos mais mal amados da língua portuguesa. Condescender tornou-se quase sinónimo de humilhar. Mas para mim é positivamente comovente observar em atitudes de amigos de longa data, a condescendência em relação às minhas ocasionais parvoíces discursivas ou de comportamento. Há uma barreira de maturidade que foi atingida onde o mais importante é a empatia, a amizade e a partilha. Ainda que às vezes apeteça mandar para o caralho, manda-se na mesma, mas como quem dá um abraço.
7.02.2011
30 anos
Lidar com garotada crescida e aprender com o espectáculo. Quem disse que viver era uma náusea não soube apreciar o quentinho vindo dos outros.
O Verão
Celebrado com o quadro de Willard Leroy Metcalf e um poema, repetido aqui de outro Verão, por Sophia de Mello Breyner.
6.18.2011
As férias bem interrompidas
Com onze recados de Passos Coelho a avisar-me de que em 2015 devo votar nele.
5.29.2011
Coisas boas
À distância estão os que entendemos como únicos importantes. No descanso deste bulício emocional da distância conseguimos por vezes encontrar disponibilidades,decerto diferentes, mas tão valiosas. Encontrar conforto e reconhecer essas outras importâncias é um desafio difícil, dificultado pelo fantasma do nosso desapego em relação aos que estão longe. Mas trata-se de adicionar pessoas, nunca de subtrair outras.
5.27.2011
Adultícia precisa-se
Atrasados mentais que recusam empréstimos com medo de ser descoberta a respectiva ignorância.Recusam ajuda por pensarem que assumem fragilidade. Frágeis da cabeça é o que é. Irritantes. Ter medo de reconhecer a ajuda ou trabalho do próximo define também este país saloio onde grande parte das pessoas ainda não saiu do paupérrimo minifúndio de onde, há pouco tempo, os antepassados saíram animados por cobiçarem o minifúndio alheio.
5.22.2011
Lara Logan
Não julguemos, à boa maneira de 1942, que merdas acontecem. Reconheçamos as diferenças culturais muitas vezes como sinais de diferentes patamares morais. E patamares revelam intensidade. Em países onde a cultura subjuga o género feminino, está o começo de outras barbáries bem conhecidas do mundo.
5.19.2011
Pequena contribuição para a construção de uma personalidade Abominável Homem das Neves
Quando leves conhecidos, enlevados por um tímido à vontade, entram pela nossa confiança adentro. Nem sempre estamos preparados para que ponham a nossa palavra em causa, mesmo em assuntos comezinhos. Ainda bem que já não há duelos com pistolas. Mas o desaparecimento do mapa continua a ser opção.
5.17.2011
Não é fácil
Acharmo-nos quando não andamos à procura.
5.10.2011
5.03.2011
Amééééérica, Amééérica, lalalalalalalalalaaaaaa
A América voltou a marcar um golo certeiro. Não se celebre a morte de um traste, porque a ter que fazê-lo não faríamos outra coisa na vida, inclusivamente teríamos de arranjar maneira de festejar a própria morte. Celebre-se a esperança de uma nação que de forma por vezes trôpega é a única a defender abertamente, sem falsos moralismos ou pútridas inocências, uma forma de vida que toda a gente que eu conheço abraça com cada vez mais sofreguidão embora por vezes com alguma vergonha.
5.01.2011
Avisaram-me da chegada da Primavera
Bem verdade que aqui na Ilha se sentiu, mas não tanto como pelo continente. Festejemos, ainda assim, a chegada da mais fecunda das estações. Com um poema de Miguel Torga e um quadro de William-Adolphe Bouguereau, demasiado grande para o blogue. Demasiado, em vários sentidos.
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