5.03.2011

Amééééérica, Amééérica, lalalalalalalalalaaaaaa

A América voltou a marcar um golo certeiro. Não se celebre a morte de um traste, porque a ter que fazê-lo não faríamos outra coisa na vida, inclusivamente teríamos de arranjar maneira de festejar a própria morte. Celebre-se a esperança de uma nação que de forma por vezes trôpega é a única a defender abertamente, sem falsos moralismos ou pútridas inocências, uma forma de vida que toda a gente que eu conheço abraça com cada vez mais sofreguidão embora por vezes com alguma vergonha.

5.01.2011

Avisaram-me da chegada da Primavera

Bem verdade que aqui na Ilha se sentiu, mas não tanto como pelo continente. Festejemos, ainda assim, a chegada da  mais fecunda das estações. Com um poema de Miguel Torga e um quadro de William-Adolphe Bouguereau, demasiado grande para o blogue. Demasiado, em vários sentidos.

4.19.2011

Não, não está bem

A vida, apesar de não dever ser levada demasiado a sério porque mais dia menos dia, é tijoleira, também não é para ser levada com o cérebro no lixo. Se percebemos a inevitável questão da tijoleira, qual é a razão para tanta parvoíce e riso inusitado? Ãh? Não será tempo de sermos homens em vez de australopitecus afarensis movidos a óxido nitroso? Está mal não ter noção das coisas.

Caricaturar o carácter

O Facebook tem coisas feias. Não se pense que me refiro ao que lá se escreve. Para erros ortográficos, haja arcaboiço que este país cada vez mais parece ter em cada indivíduo um linguista inovador.

As escolhas das amizades são-nos muitas vezes impostas, por exemplo quando nos aparece o ex-colega de escola de quem nunca gostámos mas que já é amigo de todos os nossos outros amigos. Dizer não, nesta situação, é difícil. Mas quando escolhemos de livre vontade amigar-nos com figuras públicas de quem em privado dizemos cobras e lagartos, algo vai mal na nossa tabela de valores. Ou então, expliquem lá isso melhor...

4.15.2011

Também o Braga grita filhos da puta, SLB

Cada vez mais o Benfica encarna a serenidade, a certeza e elevação tão raras nas maiorias. Uma maioria civilizada, alvo dos ataques bárbaros. As hordas que venham e não se esqueçam de tomar banho primeiro.

A Finlândia não quer pagar

Imaginemos o triste Portugal pagando resgates de outros países e a reacção do Zé Povinho.

4.04.2011

Ceder

Confunde-se a cedência com simpatia. Gerri, em Another Year ensina como não. Ouvindo Mary com paciência positivamente bondosa, não lhe permite o abalroamento dos limites familiares alimentado a acidez depressiva. Compreender, ouvir, aconselhar, indicar. Tudo verbos presentes no dicionário, nenhum deles sinónimo de cedência.

3.24.2011

O Governo caiu

Alegremo-nos com isso. Mas reconheçamos essa patetice. Quem vier agora, não vai fazer diferente.

3.17.2011

Mundo vão

Os que se queixam de ser um mundo cão, quando são, eles próprios, cães derreados, dão-me vontade de vomitar. Mas depois passa e dão-me pena. Depois passa e dão vontade de rir.

3.16.2011

Falhanço

O grande falhanço desta geração é o da mimalhice. Todos mimados clamam por um mundo melhor quando continuam interessados no próprio umbigo. Cada um grita por unidade secretamente esperançado que os outros o reconheçam como especial. Só isso explica a estupefacção com que olham a falta de entusiasmo dos que não querem salvar o mundo. Uma geração de Calvins, mas sem graça.

3.02.2011

Acerca do "Magnificent Ambersons" e não só

George Amberson nunca chega a perceber-se como principal força motriz do trenó onde a família embala para o abismo. Em “The Magnificent Ambersons”, no entanto, a gutural voz do narrador e realizador Orson Welles assinala-nos desde o início a triste inevitabilidade desprezada pela soberba do petiz da opulenta família. O filme retrata, assim como o livro, a ascensão da burguesia trabalhadora e o declínio de algumas famílias teimosas em manter um presente impossível porque exclusivamente radicado no passado. A industrialização chegara, e com ela, a justa mobilidade social. Claro que este romance acentua os extremismos de um processo nem sempre tão violento. O traquina George é o arquétipo do menino mimado que assume a necessidade de não fazer nada na vida, a não ser estar pr’aí. O bem-parecido Eugene é o homem de negócios auspicioso, investidor e co-inventor de uma tecnologia que permite andar em coches sem cavalos. O óbvio fica-se por aqui. A família Amberson nunca é retratada como vil, mas como ausente de uma comunidade cada vez mais viva e activa. Escolhendo o alheamento por via do amor ao reprovável George, os Ambersons vão naufragando na voragem dos caprichos do jovem. A sociedade, longe da santidade, não perdoa. Na América não há aristocracia, logo, não há intocáveis. De uma forma também ela algo reprovável ma non troppo, a comunidade de pronto arreganha os dentes quando sente fraqueza. Não com revoluções e muitos tiros como se fazia Europa, mas com regozijo no bater de palmas ao naufrágio há muito anunciado. Numa comunidade os papéis vão sendo reciclados, mas os Ambersons não sabendo reinventar-se, clamaram por imolação. George terá sido, afinal, o Escolhido.