10.05.2010
Res Minha
Nunca fui nem sou monárquico. Na primária achei piada às diabruras do Afonso Costa e achei normal o homicídio de dois homens por causa de uma cena que me vendiam como importantíssima para o desenvolvimento do país. O país piorou e a benfazeja república deu lugar a quarenta anos de ditadura. Não teço prosápia laudatória à monarquia, mas não me vendam outra e outra vez as qualidades de um regime que mentiu e usou os portugueses para a ascensão social de uns quantos. Ainda bem que Portugal é uma República, mas não vale a pena entrar em euforias bacocas.
10.04.2010
As crises são como relógios despertador
Entre crises os moderados são tratados como extremistas. Depois, com as crises só os extremistas parecem ter as soluções.
9.27.2010
9.09.2010
Português
Porque é que o puto não diz "Vós ganhais"?
9.06.2010
9.03.2010
Relações supérfluas
Aqueles tipos sensíveis, mas com eles próprios. Os outros são instrumentos de gestão do barómetro das emoções. Vivem numa montanha russa de enganos, desenganos, graxismo e relações fachadistas. Sentem-se sós e tristes.
Porquê?
Porque é que na sic notícias chamam Steven Walking, a Stephen Hawking?
8.31.2010
8.24.2010
8.23.2010
Um movimento anti-psiquiátrico abalizado
É certo e sabido que em Portugal, assim que haja um crime mediático ou incêndios em abundância, os cidadãos, sem distinção de classe social, ocupam-se com afã de atacar a psiquiatria e a psicologia usando de argumentos tão válidos quanto medievais. Aliás, enquanto atacam a ciência, glorificam métodos inventados com alguma criatividade por Torquemada no recomendável século XV.
O engraçado e inovador neste movimento tão português e tão Verão, é que se o movimento de anti-psiquiatria original tinha como objectivo defender os cidadãos de práticas excessivas da ciência, o movimento anti-psiquiatria de Verão compele a sociedade a utilizar com severidade a ciência contra o ser humano. O movimento exorta a experiências utilizando o fogo, o chumbo, aço inoxidável ou cordas de ráfia em seres humanos, com a eventualidade quase sempre desejada da morte do experimentando.
Interessante como são postos em causa os diagnósticos recorrendo a silogismos aceites pela maioria da população. "Ai pegou fogo à mata? E dizem que é maluco? Só para vir cá para fora outra vez!" No fundo as pessoas não acreditam que alguém que pegue fogo a alguma coisa sem outro propósito que não seja o acto em si, não esteja no perfeito juízo. As pessoas também gostavam de pegar fogo às coisas e ficam lixadas quando alguém o faz e não os chama para ver o espectáculo. Os cenários dantescos são apelativos e as pessoas querem, já agora, acabar o servicinho e se temos mata a arder nada como colocar lá um ser humano dentro como forma de sacrifício e de agradecimento às divindades por tal espectáculo da natureza.
E há por vezes a ideia de que esta época é a delícia de qualquer cidadão histriónico. Os telejornais proporcionam às mais variadas senhoras a possibilidade do espectáculo de uma vida. O fogo avista-se e os berros irrompem com o fulgor de uma Valquíria.
Momento demagógico: não vejo o movimento tão activo quando se trata de baixas médicas por depressão.
O engraçado e inovador neste movimento tão português e tão Verão, é que se o movimento de anti-psiquiatria original tinha como objectivo defender os cidadãos de práticas excessivas da ciência, o movimento anti-psiquiatria de Verão compele a sociedade a utilizar com severidade a ciência contra o ser humano. O movimento exorta a experiências utilizando o fogo, o chumbo, aço inoxidável ou cordas de ráfia em seres humanos, com a eventualidade quase sempre desejada da morte do experimentando.
Interessante como são postos em causa os diagnósticos recorrendo a silogismos aceites pela maioria da população. "Ai pegou fogo à mata? E dizem que é maluco? Só para vir cá para fora outra vez!" No fundo as pessoas não acreditam que alguém que pegue fogo a alguma coisa sem outro propósito que não seja o acto em si, não esteja no perfeito juízo. As pessoas também gostavam de pegar fogo às coisas e ficam lixadas quando alguém o faz e não os chama para ver o espectáculo. Os cenários dantescos são apelativos e as pessoas querem, já agora, acabar o servicinho e se temos mata a arder nada como colocar lá um ser humano dentro como forma de sacrifício e de agradecimento às divindades por tal espectáculo da natureza.
E há por vezes a ideia de que esta época é a delícia de qualquer cidadão histriónico. Os telejornais proporcionam às mais variadas senhoras a possibilidade do espectáculo de uma vida. O fogo avista-se e os berros irrompem com o fulgor de uma Valquíria.
Momento demagógico: não vejo o movimento tão activo quando se trata de baixas médicas por depressão.
8.20.2010
De volta às pessoas
Um trabalho onde por vezes a luta é não abanar a cabeça com desdém a quem tentámos ajudar. Onde a liberdade de cada um é soberana e a dignidade muito superior a qualquer preconceito ou julgamento moral. Mas podemos aprender com os erros dos outros on duty. E aí, apropriamo-nos de experiências das quais não teríamos conhecimento sem o trabalho escolhido aos irrisórios 17 anos. Quando voltar a ouvir uma pré-púbere exclamar de forma tão inconsciente quanto histriónica que quer estudar psicologia como forma de auto-ajuda, não me vou irritar tanto.
8.15.2010
A incompetência adora companhia
Sempre que exortamos um(a) incompetente a trabalhar e este está sozinho, com estupefacção reconhecemos o esgar de tristeza surpreendida acompanhado de suores frios com o olhar para o lado, procurando com afã alguém a quem recorrer. Mas quando o(a) incompetente está acompanhado(a) é o exortador que se desgraça. As desculpas, os compromissos, as questões da legalidade laboral, o superiores, os trâmites rotineiros, a exequibilidade, a aferição de necessidade do trabalho...Sabendo da dúbia moralidade de recusar trabalho que lhe é devido, só com as costas quentes a incompetência se atreve a vociferar. E quando o exortador tem a habilidade social de um abominável homem das neves, a incompetência consegue chegar aos tais superiores como responsabilidade e preocupação legítima. Que se foda.
8.12.2010
Receio
De confrontar-me com mais do que o trailer do novo filme de Fragata.
8.03.2010
Coisas que a vida traz
Com o tempo apercebemo-nos da falibilidade do ser humano, deixamos a criancice ingénua e olhamos à volta percebendo que, quem diria, há pessoas com características profundamente desagradáveis para nós. Alguns anos depois de o pueril mundo desabar, reconhecemos que apesar de a chusma estar ao nosso redor, também lhe pertencemos.Portanto somos portadores de características humanas igualmente desagradáveis para outras pessoas. Tendo esta noção, com mais ou menos esforço tendemos a moldar o nosso comportamento caso isso se justifique segundo todos os nossos valores pessoais, familiares, sociais... Há os que se moldam debalde, fazendo da manipulação afectiva ou social a única forma de relacionamento e sobrevivência em sociedade. Escondendo a sua essência, são clones mimetizando comportamentos, gostos, estilos e até afectos. Há os que nunca se moldam, assumindo a estúpida máxima "sou como sou, ninguém tem nada a ver com isso". Todos padecem da grave condição da certeza absoluta.
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